Portal da Igreja do Evangelho Quadrangular

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Publicado em 01/06/2018

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Coreia do Norte mantém cerca de 120 mil prisioneiros; maioria por causa da fé cristã

O Departamento de Estado dos EUA relatou que os prisioneiros são mantidos em campos de trabalhos forçados, nos quais os direitos humanos são violados.


Kim-Jon Un, ditador da Coreia do Norte. (KCNA/Reuters)


Cerca de 80 mil e 120 mil pessoas estão presas em gulags norte-coreanos - campos de trabalho forçado - sendo que a maioria deles foi presos por sua fé, disse o Departamento de Estado dos EUA.


Na terça-feira, a agência divulgou o relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional referente a 2017, que é um mandato do Congresso, um documento anual que descreve o status da liberdade religiosa em todos os países.


O relatório deste ano classifica a crise dos refugiados de Rohingya, na Birmânia como "limpeza étnica". Também faz uma estimativa do número de pessoas submetidas ao notório sistema de campos de prisioneiros da Coreia do Norte.


Os fugitivos ao longo dos anos compartilharam os horrores da tortura, do trabalho forçado e do abuso que sofreram nos campos de prisioneiros da Coreia do Norte. As pessoas são presas no que o regime de Kim gosta de chamar de "campos de reeducação" para “crimes” como a adoração em uma igreja que não seja reconhecida pelo Estado ou por desertar do país.


"O governo continuou a lidar duramente com aqueles que se envolveram em quase todas as práticas religiosas através de execuções, tortura, espancamentos e prisões", afirma o relatório. "Estima-se que 80.000 a 120.000 presos políticos, alguns presos por razões religiosas, seriam mantidos no sistema de acampamentos políticos em áreas remotas sob condições horríveis".


O Departamento de Estado contou com a expertise de ONGs como a ‘Christian Solidarity Worldwide’ para afirmar que "uma política de culpa por associação era frequentemente aplicada em casos de detenção de cristãos, o que significa que os parentes dos cristãos também foram detidos independentemente de suas crenças".


"Grupos religiosos e de direitos humanos fora do país continuaram a fornecer inúmeros relatos de que membros de igrejas clandestinas foram presos, espancados, torturados e mortos por causa de suas crenças religiosas", afirma o relatório.


"De acordo com o [Centro de Base de Dados para os Direitos Humanos da Coreia do Norte], houve um relatório em 2016 de desaparecimentos de pessoas que foram encontradas praticando religião dentro de centros de detenção. ONGs internacionais e desertores norte-coreanos relataram quaisquer atividades religiosas conduzidas fora daquelas que foram sancionados pelo estado, incluindo orações, cantos de hinos e leitura da Bíblia, podem levar a punições severas, incluindo prisão em campos de prisão política", acrescentou.


Segundo o relatório, uma cristã que desertou depois de passar oito anos na prisão por frequentar a igreja na China por quatro meses, disse a uma ONG norte-americana que ela foi acusada de "praticar o cristianismo" e saber de sua "natureza vergonhosa".


"Durante seu aprisionamento, as autoridades lhe disseram até uma dúzia de vezes por dia para se arrepender de seu passado e tentar 'lavar' sua mente", diz o relatório. "Ela relatou que outras seis mulheres que estavam presas por frequentar a igreja foram espancadas até a morte ou morreram doentes, porque não tiveram acesso a remédios".


O relatório também afirma que os cristãos estão "restritos aos degraus mais baixos da classe do sistema songun", pois são vistos como um "meio de invasão ocidental e estrangeira". O sistema songun classifica indivíduos com base na classe social, presumindo apoio do regime de Kim, visões religiosas, antecedentes familiares e outros identificadores.


Embora a Coréia do Norte tenha se classificado nos últimos 16 anos como o pior perseguidor de cristãos do mundo, o regime também tem como alvo os budistas e suas redes de culto.


Durante uma coletiva de imprensa na terça-feira, o Embaixador para a Liberdade Religiosa Internacional Sam Brownback apresentou mais detalhes sobre o sistema político penitenciário da Coreia do Norte.


"O que sabemos é que há um sistema de gulags operando na Coreia do Norte, e tem sido uma situação terrível por muitos anos", disse Brownback. "Você pode ver via satélite, satélite de código aberto, e ver alguns desses acampamentos e a situação. Você tem pessoas que saíram e escreveram sobre a situação na Coreia do Norte".


A divulgação do relatório acontece no momento em que autoridades dos EUA e da Coreia do Norte tentam ressuscitar uma potencial reunião entre o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un. Brownback foi questionado sobre a probabilidade de que as condições de liberdade religiosa fossem levantadas em qualquer reunião entre as autoridades norte-americanas e norte-coreanas.


"Bem, em certo sentido, já tem com as três pessoas que foram libertadas [que o secretário de Estado Mike Pompeo] trouxe de volta, e eu espero que o presidente esteja certo sobre a Coreia do Norte", disse Brownback, mencionando a libertação dos dos três prisioneiros americanos na Coreia do Norte.


"Ele está muito envolvido com isso, como você sabe. A secretária está muito envolvida com isso. E eu acho que eles estão levantando todas essas questões. Mas as três primeiras pessoas que eles trouxeram foram pessoas que tinham sido presas na Coréia do Norte, e então isso é uma questão de discussão ", acrescentou.

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